Saúde Mental e felicidade corporativa: uma visão científica

Por: Luiz Gaziri

Descubra como a saúde mental e a felicidade dos colaboradores impactam diretamente a produtividade e no desempenho corporativo. Neste artigo, Luiz Gaziri, palestrante parceiro da Profissionais SA, traz estratégias comprovadas, respaldadas por estudos científicos, para criar um ambiente de trabalho propício ao bem-estar na sua empresa. Táticas práticas e de fácil aplicabilidade. Aproveite a leitura!

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A Saúde Mental e a Felicidade: Por Luiz Gaziri

Décadas de estudos científicos apontam que pessoas felizes são 31% mais produtivas, 300% mais criativas e vendem até 88% a mais. Além disso, pessoas com boa saúde mental têm a autoestima mais elevada, menor risco de doenças cardiovasculares e inclusive, sistemas imunológicos mais robustos.

Movidas pela onda da felicidade corporativa, é comum vermos empresas promovendo palestras sobre saúde mental para seus colaboradores. Sem falar da distribuição dos famosos “mimos” como copos térmicos e mochilas com a logo da companhia. Porém, no dia seguinte, voltam as estratégias “meritocráticas” que minam a felicidade dos colaboradores e colocam os resultados da empresa sob risco.

De acordo com as pesquisas do cientista de Stanford, Lee Ross, o maior pecado corporativo é acreditar que cada indivíduo é responsável por seu bem-estar. Ignorando, assim, o fato de que a saúde mental é construída majoritariamente pelo ambiente em que as pessoas estão inseridas. Ou seja… Para ter colaboradores com excelente saúde mental, em primeiro lugar, é fundamental construir uma cultura organizacional em eles tenham a possibilidade de conquistar o bem-estar. Ao contrário de estratégias pontuais, direcionadas ao indivíduo, as empresas necessitam urgentemente de estratégias duradouras, focadas no ambiente. Aqui vão três estratégias, 100% baseadas em evidências científicas, importantes para a construção do bem-estar corporativo.

#1 Pague bons salários

O cientista da Universidade de Chicago, Sendhil Mullainathan, aplicou um teste de inteligência em agricultores, em dois momentos distintos. O primeiro, logo após uma colheita. O segundo, próximo a uma colheita.

Com isso, descobriu que quando os agricultores estavam com suas reservas financeiras esgotadas, os resultados no teste eram 25% piores. Colocar as pessoas na insegurança financeira é um caminho certeiro para ter funcionários infelizes e de baixa performance. Elimine comissões e outros incentivos financeiros e pague salários fixos que tragam segurança financeira às pessoas.

Pode parecer estranho… Porém, acredite! Estudos de instituições como Harvard, Duke e muitas outras, evidenciaram não somente que incentivos financeiros pioram o desempenho das pessoas, mas, sobretudo, também reduzem a motivação a longo prazo. Já a cientista da Yale, Rajita Sinha, descobriu que a insegurança financeira causa uma redução no volume do córtex pré-frontal — área do cérebro responsável pela tomada de decisões, criatividade e argumentação. Esse minguamento se dá pela enorme carga de cortisol, o hormônio do estresse, liberado pela sensação de não saber se conseguirá pagar suas contas mensais. O cortisol é um hormônio perverso que, literalmente, corrói certas áreas do cérebro, fazendo com que elas percam grande parte de sua capacidade. Além disso, o cortisol é um hormônio que carrega consigo uma grande carga de glicose. Dessa forma, aumenta as chances do indivíduo inseguro financeiramente de sofrer com condições como diabetes, obesidade e doença cardíaca.

#2 Estabeleça metas de dificuldade moderada

O cientista Martin Seligman descobriu que tentativas frustradas e consecutivas de atingir um objetivo fazem com que as pessoas desistam de suas metas futuras. Esse comportamento é conhecido como Desesperança Aprendida.

Ou seja… Se um gestor acredita no ditado que diz “sonhar grande e pequeno dá o mesmo trabalho” e, assim, determina metas longe do alcance dos funcionários, bastam alguns meses para que as pessoas aprendam a não atingir suas metas. De acordo com mais de 50 anos de estudos das maiores autoridades em motivação do mundo, Edward Deci e Richard Ryan da Universidade de Rochester, o ser humano é movido por três fatores motivacionais: autonomia, competência e relacionamentos.

Perceba que não bater metas gera o sentimento de incompetência, o que certamente reduzirá o bem-estar das pessoas em pouco tempo. Metas em grupo, de dificuldade moderada e com apuração semanal são exponencialmente melhores para a saúde mental das pessoas.

#3 Incentive bons relacionamentos

O famoso “Harvard Study of Adult Development” descobriu que os relacionamentos são o principal preditor de bem-estar para o ser humano. E, como já citado aqui, Edward Deci e Richard Ryan revelaram que os relacionamentos são um dos pilares da motivação.

No entanto, apesar dessas evidências, muitas empresas insistem em estratégias que arruínam os relacionamentos. Por exemplo: as comissões, rankings, metas individuais e campanhas de premiação que favorecem uma minoria.

Após testarem exaustivamente inúmeros modelos matemáticos que simulam relações colaborativas e individualistas entre grupos de pessoas, os cientistas Karl Sigmund e Martin Nowak concluíram que, mesmo que grupos fossem compostos majoritariamente por trapaceiros que querem apenas se beneficiar do trabalho alheio, as poucas pessoas que utilizassem a estratégia de cooperação continuaram vivas. Isso demonstra que estratégias colaborativas, em vez de competitivas, resultam em retornos maiores para as empresas. Isto é: os resultados melhores para as empresas acontecem quando as estratégias são colaborativas, ao invés de competitivas.

Salários fixos, metas alcançáveis e em equipe, além de premiações coletivas, são estratégias que incentivam a colaboração. Dessa forma, as empresas a podem construir ambientes que permitem que as pessoas tenham bons relacionamentos.

Entretanto, o maior obstáculo que um gestor enfrentará para promover um ambiente repleto de bem-estar não é a implementação dessas estratégias. No caso, é a Dissonância Cognitiva.

Mais de meio século de estudos científicos demonstram que quando as pessoas recebem informações contrárias as suas crenças, elas preferem descartar as evidências (inclusive as científicas) para manter suas crenças intactas. Espero que este não seja o seu caso.

Luiz Gaziri

Professor de Pós-Graduação na Unicamp e FAE Business School

Autor de “A Ciência da Felicidade”, “A Incrível Ciência das Vendas” e “Os Sete Princípios da Felicidade.”

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